Luta agora também é “coisa de mulher”
Benefícios atraem o público feminino para a prática das artes marciais

Por Renata Dias

As artes marciais foram criadas e desenvolvidas para aumentar a capacidade de reação (defesa e contra-ataque) dos homens menos favorecidos em termos de estatura, peso corporal e massa muscular, além de ajudá-los a encontrar equilíbrio para enfrentar os desafios diários. Felizmente esse tempo já se foi. Hoje, a mulher moderna acabou com a visão de que a arte marcial é “coisa de homem”, e cada vez mais é notada a presença feminina nas aulas de lutas.

Decididas, independentes e seguras elas colocam muitos homens para correr através das técnicas das lutas. Mas este não é o único pretexto pelo aumento da procura por aulas de artes marciais. Os motivos vão desde a busca por um bom condicionamento físico e um corpo definido até à prática de defesa pessoal e o alívio da tensão.

As aulas de boxe olímpico incluem um trabalho de pular corda, esmurrar sacos de areia e acolchoados, trabalho de corrida e exercícios localizados. A gestora de Recursos Humanos Elaine Marquez luta boxe com o marido há 2 meses e já notou resultados. “Faço boxe porque me acho muito tímida e a modalidade tem me ajudado muito”, afirma.

O professor de boxe olímpico e fisioterapeuta Thomas Henrique Cabreiro afirma que as mulheres procuram a luta por ser um esporte completo que trabalha a parte superior do corpo, o tronco e os membros além de desenvolver a coordenação motora. “O público feminino que pratica o boxe melhora a autoestima, além de perder em média 1,2 mil calorias por uma aula de 1h30”, diz o professor.

Os golpes são simulados e devem ser acompanhados por um instrutor, por isso a violência passa longe da sala de aula. O Judô, por exemplo, além de desenvolver a flexibilidade e o reflexo, trabalha a psicologia, o respeito e a disciplina. O Karatê-dô treina foco, ou seja, ter domínio de si mesmo. Já o Kung Fu está entre os mais completos, pois exige atividades que vão desde meditação até o uso de antigas armas de guerra.

O Jiu-Jitsu combina o combate corpo-a-corpo do Judô, com os chutes e socos do Tae Kwon Do. São técnicas usadas em imobilização e golpes. Também incluem um trabalho de corrida, exercícios localizados, corda e outros.

Segundo o professor de Jiu-Jitsu da academia Runner Club, Allyson Pinheiro, pentacampeão paulista, mais conhecido como “Soneca”,afirma que as mulheres procuram o esporte porque querem queimar calorias. Para o treinador, hoje em dia não existe mais o preconceito com mulheres que lutam. “Às vezes o preconceito está na cabeça da própria praticante que fica com vergonha de fazer uma aula, e por isso, acaba não conhecendo a doutrina do esporte”, afirma.

Não há restrições quanto à prática do Jiu-Jitsu, por isso, homens e mulheres saudáveis, de qualquer idade, podem treinar. A estudante Anneliese Widmer, 22 anos, pratica a arte marcial há 5. A família nunca foi a favor, mesmo assim ela não desistiu e faz aulas até hoje. “Gosto de Jiu-Jitsu porque trabalha a força das pernas além de ensinar golpes de defesa pessoal”, conclui a estudante.




 


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